Quando comecei a me entender por gente acreditava que eu pensava e sentia de um jeito diferente das outras pessoas. Sonhos diferentes, vontades diferentes, manias diferentes. Eu só podia ser de outro planeta e a saída seria me ambientar ao mundo no qual eu parecia cair de pára-quedas a cada manhã.
Nunca me pareceu ruim ser uma marciana. De certa forma viver frequentemente desambientada traz uma poesia incomum às coisas mais banais. Olhares, gestos, atitudes, fenômenos sentimentais ou da natureza. Nada passa despercebido por quem parece viver cada momento com a magia de uma primeira vez.
Não lembro bem quando resolvi escrever meu blog. Tampouco sei das razões que me motivaram a colocar as minhas idéias ao alcance de quem tivesse interesse em ler. Talvez eu precisasse de um refúgio. De um lugar em que eu mostrasse a cada linha todos os meus sentidos sem receios ou pudores, em que pudesse me sentir em casa, confortável e protegida.
O que eu não imaginava é que meu refúgio receberia visitas, comentários, e-mails. Não sonhava que outras garotas usariam meus textos para se descrever ou, ainda, que meus escritos seriam encaminhados com o intuito de transmitir mensagens a amigos, namorados, amantes e afins. Até então eu era uma extraterrestre. Como tantas pessoas podiam se identificar com minha forma de pensar a ponto de se expressarem através das minhas palavras?
Eu vivo de sentimentos à flor da pele. Não é preciso ter uma bola de cristal para saber o que sinto. Minha voz me entrega, meu olhar me condena. Mas nem todos são transparentes assim. O que não significa que eles não sintam da mesma maneira ou ainda mais intensamente. Talvez por trás de um olhar sério haja um coração transbordando de coisas a dizer. Talvez todo mundo tenha um pouquinho de marciano escondido dentro de si.
domingo, 23 de novembro de 2008
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