Eu não fico triste. Não por mais de uma semana. Não me dou esse direito. Pode chamar de fuga, pode dizer que sou infantil ou ainda que não sei lidar com os meus sentimentos. Não ligo. Triste ou feliz a vida sempre continua. E eu escolho a segunda opção.
Talvez por isso seja tão difícil eu assumir que gosto de alguém. Ou ainda, investir e insistir numa relação. Não contesto brigas. Não contrario os finais. É mais fácil pensar que tudo tem mesmo uma razão para ser.
Lógico que eu gostaria que muita coisa estivesse exatamente do mesmo jeito. Lugares novos, sonhos novos. Ou melhor, realidades sendo construídas lado a lado com aquela vontade de não desgrudar nem por algumas horas. Mas outras tantas situações já não poderiam ser iguais. E foram elas que nos troxeram até aqui.
Mesmo assim, impossível não sentir saudade. Sinto falta das nossas conversas sempre contrastantes, de argumentar a minha maneira de pensar e, de uma hora para outra, esquecer de tudo beijando a boca que eu tanto adorava. Lembro dos passeios, dos lugares comuns e inusitados, da companhia sempre pronta para ir a qualquer lugar. Lembro do quanto era bom te encontrar depois de alguns dias longe, mesmo quando tua surpresa me pegava despenteada, de pijama, sem maquiagem alguma.
Desculpa se eu quero esquecer as palavras que eu disse e as que ouvi. Talvez seja realmente uma forma de fugir. Mas prefiro correr a deixar no esquecimento o teu jeitinho de falar, de dar risada e me mandar parar de ser boba. Quero lembrar do dia em que me disseste que devia estar enganado, que a felicidade pode mesmo existir. E apagar os momentos em que não pude reconhecer quem motivou por tanto tempo os meus sorrisos involuntários.
quinta-feira, 27 de novembro de 2008
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